Na última terça-feira (5.jul.2016), o Tribunal de Justiça de São Paulo reafirmou que o jornalista Leonardo Sakamoto (Blog do Sakamoto/Repórter Brasil) não cometeu crime de difamação ao divulgar em seu blog e no site da ONG Repórter Brasil uma lista de empresas autuadas pelo Ministério do Trabalho por manterem trabalhadores em regime de escravidão. Sakamoto foi processado em outubro do ano passado pela empresa Pinuscam – Indústria e Comércio de Madeira Ltda, cujo nome consta na relação.
A ação já havia sido arquivada em primeira instância pelo juiz Ulisses Augusto Pascolati Júnior, da Vara do Juizado Especial Criminal do Foro Central Criminal de São Paulo. A Pinuscam recorreu contra o arquivamento e o TJ-SP reiterou o entendimento de que a divulgação de informações públicas não é crime.
Para os magistrados do TJ-SP, Sakamoto apenas divulgou informações públicas e "agiu (…) amparado pela garantia constitucional assegurada no art. 5º, IV, da Constituição Federal, nos limites de sua profissão de jornalista", segundo a relatora do caso, Maria Carolina Bertoldo. Sakamoto obteve a lista de empresas autuadas via Lei de Acesso a Informações Públicas.
A advogada do caso Eloísa Machado afirma que "a decisão representa um importante precedente para o direito de informar, fortalecido pela Lei de Acesso à Informação".
Para a Abraji, questões de eventual ofensa à honra não deveriam ser tratadas como crimes, e sim exclusivamente na esfera civil, conforme recomendam a ONU (Organização das Nações Unidas) e aOEA (Organização dos Estados Americanos).
O desfecho do caso, portanto, é bem-vindo. Especialmente porque reforça a garantia do direito constitucional de informar e de ser informado.
Com informações do Blog do Sakamoto
Nova portaria do Itamaraty fragiliza garantias da Lei de Acesso à Informação
Prêmio Cadeado de Chumbo 2025 revela os campeões da falta de transparência no poder público
Em sua primeira edição, Prêmio Acesso Livre abre indicações
Consulta pública sobre governança e compartilhamento de dados está aberta até 22 de agosto
MGI retoma acesso a documentos no Transferegov após pressão por transparência
Carta aberta: organizações de Transparência são contrárias ao envio do PL para alterar a LAI ao Congresso
Às vésperas das eleições, CPFs de candidatos continuam sob sigilo indevido
TSE inclui sugestões do Fórum em resolução sobre condutas vedadas a agentes públicos durante eleições 2024
Rondônia impõe sigilo sobre atividades do governador e vice-governador do estado
Fórum apresenta sugestões ao TSE para evitar apagão de dados durante período eleitoral
Todo o nosso conteúdo pode ser publicado ou reutilizado de forma gratuita, exceto a maioria das fotografias, ilustrações e vídeos.