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Comissão da Verdade não é ‘revanchismo’, diz Dilma

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Fonte: Folha de S. Paulo (18.nov.2011) | Autor: Fábio Guibu

Dilma RousseffA presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira (18), em Salvador (BA), que a lei de acesso a informações públicas e a criação da Comissão da Verdade, sancionadas hoje por ela, não representam um revanchismo, mas também não permitem "o silêncio comprometedor da cumplicidade".

"Somos um país que precisa conhecer a sua história", disse a presidente, que foi presa e torturada no período de ditadura militar. "Chegamos ao ponto em que o Brasil se encontra consigo mesmo, porque nós nos encontramos sem revanchismos, mas também sem o silêncio comprometedor da cumplicidade", afirmou.

Segundo ela, a sanção das duas leis representa um "passo importantíssimo na democracia brasileira".

A lei de acesso a informações públicas determina que nenhum documento poderá ter acesso restrito por mais de 50 anos. A Comissão da Verdade vai investigar as violações aos direitos humanos ocorridos entre 1946 e 1988.

Em seu discurso, durante o anúncio de investimentos de R$ 1,6 bilhão do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Mobilidade das Grandes Cidades para Salvador, Dilma também citou a crise na zona do euro e reafirmou que o Brasil tem "todas as condições de enfrentar essa situação".

"Uma das soluções é o que estamos fazendo aqui, ampliando os investimentos em infraestrutura e na melhoria das condições de vida da população", declarou a presidente.

Dilma não comentou a situação do ministro Carlos Lupi (Trabalho). Já o ministro das Cidades, Mário Negromonte –que também foi alvo de especulações sobre sua saída do governo–, disse em entrevista que não tem conselhos a dar a Lupi.

"Não dou conselho, não. Acho que o ministro Lupi cometeu alguns equívocos e ele já corrigiu", disse. "Cabe à presidente Dilma analisar. A presidente tem dito que não vai compactuar com erros, e nós estamos convivendo num país democrático", afirmou.

Sobre sua eventual saída na reforma ministerial que deve ocorrer no início do próximo ano, Negromonte declarou: "Só tenho duas certezas: depende dela e de mim. O resto é especulação".